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Tabela de preços tatuagem: como montar a sua

Como montar tabela de preços de tatuagem sem copiar a do colega: custo, tempo e posicionamento. Sua régua, faixa pública, orçamento no privado.

Equipe Inker(Atualizado em 1 de setembro de 2026)7 min de leitura
Tabela de preços tatuagem: como montar a sua

Como montar tabela de preços de tatuagem não é copiar a faixa do estúdio do lado e arredondar. É montar a sua com três eixos: custo (o que você paga mesmo sem tatuar, mais o material de cada sessão), tempo (hora efetiva na cadeira — desenho, WhatsApp e limpeza também entram) e posicionamento (o que o seu portfólio e a sua agenda sustentam hoje). Sem esses três, o número da tabela é chute. Chute com a agenda cheia ainda dá prejuízo.

Este texto é a régua da tabela de quem já atende. Não é planilha de abrir estúdio e não é média nacional de quanto o tatuador “ganha”. Se a dúvida é montar o ponto, o guia é outro. Se a dúvida é o que sobra no fim do mês, também. Aqui o trabalho é um: sair do “no olho” e ter uma lógica que você consegue explicar — para você e para o cliente.

Copiar a tabela do lado é usar a planilha de outra pessoa

É tentador. Você vê a tabela de um estúdio que admira, mexe uns reais e publica a sua. Aquele número carrega decisões que não são suas.

  • O custo dele. Aluguel, energia, taxa de maquininha, material — muda de bairro, de cidade, de quem divide sala.
  • O tempo dele. Quantos dias atende, quantas horas realmente tatua, quanto some em orçamento e remarcação.
  • O posicionamento dele. Portfólio de anos cobra reputação. Agenda lotada meses à frente usa o preço como filtro. A sua, se tem buraco, com o mesmo número vira motivo de cliente sumir.

Copiar sem ajustar os seus números é decidir o preço com a conta de outra pessoa. Funciona até o mês fechar e o dinheiro não fechar junto.

Os três eixos que entram na sua tabela

Esqueça “preço de mercado” como ponto de partida. Comece pelos números que só você tem.

1. Custo — o chão abaixo do qual você paga para tatuar

Some o que sai todo mês mesmo sem ninguém sentar: aluguel ou diária da bancada, internet, contador, taxas, sistema, material de biossegurança recorrente. Divida pelos dias em que você de fato atende. Esse é o custo fixo por dia.

Por sessão, some o variável: agulha, tinta, filme, luva, pomada, embalagem. Sessão de uma hora e sessão de quatro não gastam o mesmo — vale faixa por duração, não um único “kit médio” inventado.

Se você está em bancada de outro estúdio, o custo fixo é o que o contrato cobra (diária, turno ou o que não cai na sua chave). O modelo — quem recebe o PIX — é outra conversa. Aqui entra só como número na conta da tabela.

Não misture esta conta com reforma, autoclave e alvará de ponto novo. Isso é custo de abrir. Tabela de preço é custo de operar o que você já tem.

2. Tempo — hora tatuada não é hora do relógio

A parte que mais tatuador pula: transformar o pró-labore mínimo (quanto você precisa tirar no mês para viver) em valor por hora efetiva na cadeira. Não pelas horas que a agenda mostra. Pelas que você realmente tatua.

O resto do dia some: orçamento, remarcação, direct, desenho, limpeza. Se isso não entra, o preço por hora tatuada está mentindo para cima — você acha que cobra X por hora de trabalho, mas a hora de trabalho real é menor.

Complexidade e região são tempo e desgaste, não enfeite:

  • Realismo, blackwork denso e fechamento técnico pedem mais revisão que flash pronta.
  • Costela, mão e pescoço pedem mais cuidado e geram mais remarcação. Tratar fechamento de braço igual a costela do mesmo tamanho deixa dinheiro na mesa nas regiões difíceis.
  • Flash e autoral não são o mesmo produto. Traço pronto, pouco desenho. Autoral come hora antes da agulha. Mesma régua para os dois empurra a flash para cima (afasta) ou o autoral para baixo (te queima).

Não existe multiplicador mágico de “região difícil”. Existe a sua régua interna: simples / média / alta, e o tempo real daquela peça naquela pele.

3. Posicionamento — o que a sua agenda e o seu portfólio aguentam

Custo e tempo dão o chão. Posicionamento diz se você pode (ou precisa) ficar acima dele.

  • Agenda com folga e portfólio ainda curto: o número alto do artista lotado não é o seu. Você não está “barato demais”; está cobrando a reputação de outra pessoa.
  • Agenda cheia toda semana, com espera: o preço deixou de filtrar. Isso não é motivo de orgulho — é sinal de que a tabela está abaixo do que a demanda atual paga. Reajuste o chão e o posicionamento. Não invente um percentual de “mercado”.
  • Estilo: quem só faz flash de walk-in não usa a mesma tabela de quem fecha manga autoral. São ofertas diferentes.

Posicionamento não é ego e não é percentual. É o cruzamento do que você entrega com o que a fila da sua agenda mostra.

Exemplo de método — os números são seus

Para tirar do abstrato, um cenário ilustrativo. Troque cada cifra pela sua. Não trate como média do Brasil nem como “preço da região”.

Digamos 16 dias de atendimento no mês. Custo fixo do mês dividido por 16 vira custo por dia. Pró-labore mínimo do mês, pelo mesmo 16, vira o quanto aquele dia precisa gerar para você viver. Some os dois. Divida pelas horas que você realmente tatua naquele dia — não pelas que passou no WhatsApp.

O resultado é o chão por hora: o valor abaixo do qual, mesmo com a cadeira ocupada, você está pagando para trabalhar. Por cima, some o material da faixa de sessão (1h, 2h, 4h+).

A tabela não é esse chão. A tabela é o chão mais o posicionamento. Sem percentual de margem único: se a agenda está folgada, você não sobe no escuro; se está lotada, você não continua no chão só porque “é o preço da rua”.

O que o método expõe: cobrir o número do colega abaixo do próprio chão enche a agenda e esvazia a conta. Agenda cheia com prejuízo é o cenário clássico de quem nunca fez essa conta.

Para deixar a conta visível — de novo, exemplo de método, não cotação:

  • Custo fixo mensal R$ 2.400 e 16 dias de atendimento → R$ 150 por dia.
  • Pró-labore mínimo R$ 6.000 nos mesmos 16 dias → R$ 375 por dia.
  • Horas efetivas tatuando: 5 (o resto some em orçamento, remarcação, direct e limpeza).
  • Chão: R$ 525 / 5h = R$ 105 por hora só para empatar, antes do material.
  • Material de uma sessão de 2h entra por cima, no variável daquela faixa.

Se esse mesmo tatuador cobrasse abaixo do chão “porque é o que a região cobra”, cada sessão ocupada ainda sairia no vermelho. A cifra de R$ 105 não é o seu número. É o formato da conta.

Como estruturar as faixas

Uma estrutura que segura a maior parte dos estúdios que já atendem:

FaixaO que cobreComo precificar
Flash / traço simplesPeça pequena, desenho pronto, pouca revisãoPreço fechado por tamanho (P / M / G)
Autoral pequeno-médioDesenho personalizado, poucas horasValor-base da faixa + hora além do combinado
Fechamento / grande porteVárias sessõesValor por sessão + orçamento fechado do projeto

Dentro de cada faixa, aplique a régua de região e complexidade que você definiu. O objetivo não é uma tabela engessada — é uma lógica atrás de cada número, para você e o cliente saberem de onde ele veio.

Retoque incluso em X meses não é cortesia: o custo daquela sentada extra já entra no preço original. Se não entra, você doou uma sessão.

Erros que desmontam a tabela no primeiro mês

  • Número redondo sem conta. Valor que “soa bem” não paga aluguel.
  • Tabela que não reajusta. Material de 2026 com número de dois anos atrás é prejuízo com cara de fidelidade.
  • Negociar no DM sem régua. Cada orçamento vira leilão. O cliente sempre acha que o de baixo é o justo.
  • Ignorar tempo de gestão. Responder, marcar, remarcar e cobrar sinal é trabalho. Fora da conta, a hora tatuada mente.
  • Flash e autoral na mesma linha. Produtos diferentes, tempo de criação diferente.
  • Região difícil no preço de região fácil. Mesmo tamanho, outra sessão.

Como comunicar sem soar caro nem barato

Tabela calculada é metade. A outra é o número na frente do cliente.

  • Uma frase de porquê, não um parágrafo: “O valor considera tamanho, região do corpo e complexidade.” Resolve a pergunta antes dela existir.
  • Faixa pública e orçamento fechado privado. No Instagram ou no site, a partir de. O valor exato fecha depois da referência e da área. Filtra quem não tem o mínimo sem você gastar meia hora no zap.

A tabela sozinha não filtra conversa. Quem chega perguntando “quanto custa uma tatuagem?” ainda precisa de um caminho de orçamento com os dados certos — referência, tamanho, local — antes de você abrir a calculadora. Isso é o formulário de orçamento, não esta página.

Tabela feita: o que sobra é agenda e orçamento

O ganho de uma tabela bem montada não é “cobrar mais caro”. É parar de tatuar peça que dava prejuízo com cara de trabalho. O quadro do que entra e do que sobra no mês está no guia de quanto ganha um tatuador. Montar o ponto do zero — reforma, equipamento, alvará — é o de quanto custa abrir um estúdio. Aqui a conta acaba na tabela de quem já atende.

O segundo passo é o que a tabela não faz sozinha: quem já orçou, quem confirmou, quem ainda deve o saldo. Caderninho e cinco conversas soltas no WhatsApp devolvem você ao chute, mesmo com a faixa certa na bio.

Se você quer testar agenda e orçamentos no mesmo lugar — o que chegou, o que fechou, a sessão marcada — a Inker tem 7 dias grátis na landing. Sem cartão para começar. O teste é operação: orçar e agendar, não outra planilha paralela.

O resumo para colar no bloco de notas

  • Como montar tabela de preços de tatuagem: a sua, com custo, tempo e posicionamento. Não a do colega.
  • Custo fixo por dia de atendimento + material por faixa de sessão = chão. Abaixo disso, você paga para tatuar.
  • Tempo é hora efetiva na cadeira, mais desenho e gestão. Flash ≠ autoral. Região difícil ≠ região fácil.
  • Posicionamento lê a sua agenda e o seu portfólio, não um percentual de margem.
  • Faixas: flash fechada por tamanho; autoral com base + hora; fechamento por sessão e projeto.
  • Público: “a partir de”. Particular: orçamento fechado. Reajuste quando o custo mudar ou a fila lotar com folga.
  • Depois da tabela: formulário de orçamento e teste de 7 dias para não perder o número no DM.

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