Tabela de Preços de Tatuagem: Como Montar a Sua em 2026
Aprenda a montar sua tabela de preços de tatuagem com fatores reais de custo — sem copiar a tabela do tatuador do lado. Modelo prático incluso.

Se você ainda decide o preço da tatuagem "no olho", olhando o desenho e chutando um número, esse artigo é pra você. Uma tabela de preços de tatuagem bem montada não é burocracia — é a diferença entre fechar o mês sabendo que sobrou dinheiro pra você, ou descobrir só depois que trabalhou 3 dias por um valor que não pagou nem o aluguel da cadeira.
Vamos direto ao ponto: como montar a sua tabela, com os fatores que realmente importam — não a versão genérica que qualquer blog de gestão te dá.
Por que copiar a tabela do tatuador do lado é o erro mais caro que você pode cometer
É tentador. Você vê a tabela de um estúdio que admira, ajusta uns 10% e publica a sua. O problema é que aquele número carrega decisões que não são suas:
- O custo fixo dele. Aluguel, energia, taxa de maquininha, material — tudo isso varia de bairro pra bairro, de cidade pra cidade.
- O posicionamento dele. Um estúdio com 8 anos de portfólio forte cobra por reputação, não só por hora de trabalho.
- A agenda dele. Se ele está lotado 3 meses à frente, o preço alto também funciona como filtro. Se a sua agenda tem buraco, o mesmo preço vira motivo de cliente sumir.
Copiar tabela alheia sem ajustar os seus próprios números é decidir seu preço com a planilha de custos de outra pessoa. Funciona até você perceber, no fim do mês, que o dinheiro não fechou.
Os fatores reais que entram na sua tabela
Esqueça "preço de mercado" como ponto de partida. Comece pelos números que só você tem.
1. Custo fixo mensal do estúdio
Some tudo que você paga independente de tatuar ou não: aluguel (ou parte dele, se for sala compartilhada), internet, contador, taxas de maquininha, assinatura de sistema de gestão, material de biossegurança recorrente. Divida pelo número de dias que você efetivamente atende por mês. Esse é o seu custo fixo por dia de trabalho — o chão abaixo do qual você está pagando pra tatuar.
2. Custo variável por sessão
Agulha, tinta, filme de proteção, luva, pomada, embalagem de cuidado pós-tattoo. Some o custo médio de material por sessão de 1h, 2h e 4h+ — isso muda o suficiente pra valer a pena calcular por faixa de duração.
3. Seu pró-labore mínimo
Essa é a parte que mais tatuador pula. Antes de pensar em lucro do estúdio, defina quanto você precisa tirar por mês pra viver — e transforma isso em valor por hora tatuada, considerando quantas horas você realmente consegue tatuar (não as horas que passa na agenda, no orçamento, respondendo direct).
4. Complexidade e estilo
Realismo, blackwork denso e fechamentos técnicos consomem mais energia e revisão que uma flash simples. Não é só "tempo" — é desgaste. Vale ter uma régua interna de complexidade (simples / média / alta) que multiplica o valor-base.
5. Tamanho x localização no corpo
Costela, mão e pescoço doem mais, exigem mais cuidado técnico e geram mais remarcação por cicatrização difícil. Se sua tabela trata um fechamento de braço igual a uma costela do mesmo tamanho, você está deixando dinheiro na mesa nas regiões difíceis.
Exemplo prático: calculando seu valor-hora do zero
Vamos com números reais pra tirar isso do abstrato. Imagine um tatuador que atende 16 dias por mês, com esse cenário:
- Custo fixo mensal: R$2.400 (aluguel de sala, internet, contador, taxas, sistema de gestão) → R$150/dia de atendimento.
- Pró-labore desejado: R$6.000/mês → dividido pelos mesmos 16 dias, R$375/dia.
- Horas efetivas tatuando por dia: 5h (o resto do dia some com orçamento, remarcação, resposta de direct e limpeza).
- Custo variável médio por sessão de 2h: R$60 em material.
Somando custo fixo + pró-labore por dia: R$525. Dividido pelas 5h efetivas: R$105/hora só pra empatar — sem lucro nenhum ainda. Adicione o custo variável por sessão e a margem que você quer (20-40% é uma faixa comum pra reinvestir no estúdio e ter colchão pra mês fraco) e chega no valor-hora real que vai pra tabela.
Repare no que esse cálculo expõe: se esse mesmo tatuador cobrasse R$80/hora "porque é o preço da região", estaria trabalhando abaixo do próprio custo — cada sessão de 2h daria prejuízo de R$50, mesmo com a agenda cheia. Agenda cheia com prejuízo é o cenário mais comum entre tatuadores que nunca fizeram essa conta.
Modelo prático: como estruturar sua tabela
Uma estrutura que funciona bem pra maioria dos estúdios brasileiros:
| Faixa | O que cobre | Como precificar |
|---|---|---|
| Flash / traço simples | Peças pequenas, desenho pronto, pouca revisão | Preço fixo por tamanho (P / M / G) |
| Autoral pequeno-médio | Desenho personalizado, 1-3h | Valor-base + hora adicional |
| Fechamento / grande porte | Projetos de múltiplas sessões | Valor por sessão + orçamento fechado pro projeto todo |
Dentro de cada faixa, aplique os multiplicadores de região do corpo e complexidade que você definiu no passo anterior. O objetivo não é ter uma tabela engessada — é ter uma lógica por trás de cada número, pra você (e seu cliente) entenderem de onde ele veio.
Erros comuns ao montar a tabela
- Preço "redondo" sem cálculo. R$300 porque "soa bem" não paga conta nenhuma.
- Não reajustar nunca. Tabela de 2023 com custo de material de 2026 é prejuízo disfarçado.
- Negociar no DM sem régua. Sem tabela publicada, cada orçamento vira uma negociação do zero — e o cliente sempre acha que o de baixo é o "preço justo".
- Ignorar o próprio tempo de gestão. Responder orçamento, marcar, remarcar e cobrar sinal também é trabalho. Se isso não entra na conta, seu preço por hora tatuada está inflado artificialmente.
- Misturar preço de flash com preço de autoral na mesma régua. São produtos diferentes, com tempo de criação diferente — tratar os dois igual empurra o valor da flash pra cima (afasta cliente) ou o do autoral pra baixo (te queima).
- Não considerar retoque na conta. Se sua política inclui um retoque grátis dentro de X meses, o custo dele já precisa estar embutido no preço original — não é "cortesia", é parte do produto.
Como comunicar a tabela sem soar caro nem barato demais
Ter a tabela calculada é metade do trabalho. A outra metade é como você apresenta o número. Duas práticas que reduzem atrito:
- Explique o "porquê" em uma frase, não um parágrafo. "O valor considera o tamanho, a região do corpo e a complexidade do traço" already resolve 80% das perguntas antes que o cliente precise fazer.
- Tenha uma faixa pública e um orçamento fechado privado. A tabela no Instagram ou site pode (e deve) ser "a partir de" — o valor exato fecha depois de ver a referência e a área do corpo. Isso filtra quem não tem o orçamento mínimo sem você perder tempo de resposta.
Se seu problema hoje é justamente perder tempo negociando preço um a um no WhatsApp, vale ler também como organizar um formulário de orçamento — ele resolve a metade do problema que a tabela de preços sozinha não resolve: filtrar quem já chega sabendo o valor.
Quanto isso muda no fim do mês
O ganho real de uma tabela bem calculada não é só "cobrar mais caro". É parar de tatuar peças que davam prejuízo disfarçado de trabalho. Se você quer entender o quadro completo — de precificação a gestão financeira do estúdio — o guia quanto ganha um tatuador em 2026 junta os dois lados da conta: o que você cobra e o que sobra.
Montar a tabela é o primeiro passo. Manter o controle de quem já orçou, quem confirmou e quem ainda deve o saldo é o segundo — e é aí que a maioria dos estúdios volta pro caderninho ou pras 5 conversas soltas no WhatsApp. Se você quer ver como um board de orçamento e agenda tira essa parte da sua cabeça, dá uma olhada em como a Inker organiza isso.
Sua arte não muda. O que muda é parar de decidir o preço dela no escuro.
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